Nascido dos sonhos de libertação dos revolucionários, o governo representativo foi um estupendo avanço sobre os sistemas de poder anteriores. Tornou possível a sucessão ordeira sem dinastia hereditária.
Contudo, por mias que forcemos a imaginação não podemos vê-lo controlado pelo povo. Em parte alguma mudou realmente a estrutura subjacente do poder nas nações industriais - a estrutura das subelites, elites e superelites. Com efeito, o sistema representativo tornou-se um dos meios-chaves de integração pelas quais elas se mantinham no poder. A votação proporciona um ritual de afirmação da massa, transmitindo ao povo a sensação que eles estavam no comando - que podiam, pelo menos em teoria, deseleger assim como eleger líderes.
Na prática, o público tem permissão de escolher entre candidatos em épocas estipuladas, depois a "máquina de democracia" é desligada novamente. Bandos de politiqueiros, servem-se, brindam-se e assim afetam o processo de tomada de decisões numa base de 24 horas por dia. As elites criaram uma poderosa máquina de fluxo contínuo para operar lado-a-lado. Finalmente, um instrumento ainda mais potente para o controle social era introduzido no próprio princípio da representação: para a simples seleção de algumas pessoas para representarem outras, criavam-se novos membros da elite. O governo representativo, o que fomos ensinados a chamar de democracia - é, em suma, uma tecnologia para garantir a desigualdade. O governo representativo é pseudo-representativo.
O que vemos, olhando para trás, é uma civilização pesadamente dependente em combustíveis fósseis, de produção fabril, família nuclear, educação de massa e os veículos de comunicação, tudo baseado numa clivagem crescente entre a produção e o consumo - e tudo gerenciado por uma série de elites.
Livro: A Terceira Onda.
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